Segurança alimentar: a importância da formação

A segurança alimentar tornou-se um aspeto de importância primordial num mundo globalizado, onde os benefícios económicos na busca da qualidade e segurança alimentar predominam na maioria dos casos. Exemplos claros disto são as últimas crises alimentares que tiveram lugar em todo o mundo.

Enquanto a segurança alimentar consiste em assegurar a nutrição adequada da população em alguns países, noutros, todas as medidas visam evitar qualquer tipo de contaminação do produto, não só espontânea ou acidental, mas também intencional. Após os ataques terroristas perpetrados nos EUA, muitas empresas implementaram sistemas de segurança adicionais (Defesa Alimentar).

A instabilidade económica, juntamente com outros fatores de risco, fizeram com que o primeiro objetivo estivesse ainda longe de ser alcançado. É por isso que, tendo em conta a enorme quantidade de alimentos lançados todos os dias, muitos governos decidiram aplicar políticas que evitam o desperdício e, com ele, garantem a sustentabilidade do sistema alimentar, um problema que envolve todos os intervenientes na cadeia alimentar.

O segundo objetivo tem a mesma relevância, uma vez que todos os esforços visam evitar que qualquer alimento afete a saúde dos consumidores. Para este fim, as indústrias alimentares implementam vários sistemas de gestão da segurança alimentar em resposta a um mercado cada vez mais exigente. Os consumidores exigem produtos amigos do ambiente, mais naturais e saudáveis, produzidos de forma ecológica, e sem a subsequente adição de conservantes artificiais. Tudo isto graças a uma maior consciência do consumidor de seguir um estilo de vida saudável.

Por outro lado, as mudanças nos hábitos alimentares, a adição de novas culturas culinárias, o aumento dos grupos de risco devido ao envelhecimento da população ou ao sofrimento de certos tipos de doenças, muitas delas de origem alimentar, tais como intolerâncias alimentares e alergias, levaram a mudanças nos métodos de produção e na variedade de produtos que podem ser encontrados atualmente no mercado. Por exemplo, a gama de produtos sem glúten ou sem lactose está a aumentar. Para este fim, e com o objetivo de assegurar o controlo dos alergénios na indústria alimentar e restauração coletiva, salvaguardando o direito à informação para que os consumidores tomem decisões informadas, entrou recentemente em vigor um novo regulamento europeu que responde de alguma forma às exigências dos consumidores relativamente à composição e rotulagem dos produtos comercializados (Regulamento (UE) n.º 1169/2011).

Tendo isto em conta, a educação e formação em manipulação e segurança alimentar é considerada um fator-chave para garantir a qualidade, a validade dos alimentos e a saúde dos consumidores. A nível doméstico, existe ainda uma certa falta de conhecimento de certos grupos populacionais relativamente às principais normas de higiene durante a manipulação; um facto fundamental é o número de surtos de infeções tóxicas que têm lugar em casa. Em 2013, um terço dos surtos notificados na UE deveu-se a um manuseamento deficiente por parte dos consumidores (EFSA, 2015). Por outro lado, quando se trata do sector profissional, os manipuladores admitem aplicar todas estas regras e, mesmo assim, há casos de intoxicação alimentar. Isto indica que devem melhorar as medidas de higiene e continuar a formação no domínio da segurança alimentar.

De acordo com a regulamentação europeia em matéria de segurança alimentar, a formação é obrigatória. Isto também é exigido pelos diferentes sistemas de gestão da segurança alimentar. Assim, existe uma grande variedade de materiais de formação adaptados às necessidades de cada sector da indústria alimentar. Alguns exemplos são:

Food safety in the cheese industry (materiais desenvolvidos no âmbito do projeto europeu LdV TOI FSC, 2010-2012).

Food safety improvement in the meat sector (materiais desenvolvidos no âmbito do projeto europeu LdV TOI SAFEMEAT_EU, 2013-2015).

‘Good training practices guideline on food safety’ (materiais desenvolvidos no âmbito do projeto europeu LdV Partnerships, AIFooST, 2013-2015).

 

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